agosto 21, 2003

Cartas de Um Morto I

Lembras-te de quando morremos? A vida passou por nós como se fosse uma bala, atravessando tudo e todos no seu trajecto de infortúnio. A sua cor dourada ainda me encandeia os pensamentos... Sempre que fecho os olhos ainda consigo ver o teu rosto à medida que a bala atravessava o teu frágil coração. Como eu amo ver o desespero nos teus olhos... ver-te perder suavemente a vida, sentir no peito o teu último fôlego. Dá-me vontade de juntar-me a ti e perdermos a vida em simultâneo, lentamente partilharmos o último fôlego com um leve beijo. Outra bala... outra vida. O meu rosto empalideceu, as veias desenharam fendas azuladas na minha face e os meus olhos insistentemente focados nos teus já sem vida, branquearam... Caí sobre o teu ventre e agonizei com a carícia esmagadora da bala no meu peito... os sentidos abandonaram-me.

Publicado por Conde em agosto 21, 2003 12:58 PM
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