Apenas vi o que não devia ter visto, naquelas ruas, naquelas vielas. Encharcado pela indignação estremeço... o cheiro, ia jurar que o senti noutras vidas, noutros tempos mortos onde a luz não abraçava à noite. Almas perdidas sentadas no chão com os seus animais fazendo acrobacias para iludir as vidas de quem passa. Vidas que não têem tempo, vidas que morreram à muito aprisionadas dentro de um fato de tecido fino. Viver apenas por viver, respirar apenas porque assim deve ser, fumar um cigarro apenas para ver o vazio abraçar-se ao fumo e juntos anularem-se. Parei. O cheiro desapareceu e eu segui a minha caminhada com pensamentos aliviados. Apenas vi o que não devia ter visto, naquelas ruas, naquelas vielas...
Publicado por Conde em setembro 2, 2003 02:25 PM