"Os Poetas antigos animaram todos os objectos sensíveis com deuses e génios, nomeando-os e adornando-os com os atributos de bosques, rios, montanhas, lagos, cidades, nações e tudo quanto os seus amplos e numerosos sentidos permitiam perceber.
E estudaram, em particular, o carácter de cada cidade e país, identificando-os segundo a sua deidade mental.
Até que se estabeleceu um sistema, do qual alguns se favoreceram, e escravizaram o vulgo com o intento de concretizar ou abstrair as deidades mentais a partir de seus objectos: assim comecou o sacerdócio;
Pela escolha de formas de culto das narrativas poéticas.
E proclamaram, por fim, que os deuses haviam ordenado tais coisas.
Desse modo, os homens esqueceram-se que todas as deidades residem no coração humano."
William Blake
O ofício do poeta
O poeta que faz dos versos
Cruz, escudo, rosa e espada
Esquece do fim da estrada
Tece sentidos diversos
O poeta que faz dos versos
Cruz, escudo, rosa e espada
Perde o início para o nada
Nos pensamentos perversos
Poeta que dos versos faz
A cruz que adorna sua fé
O escudo protege à mente
Poeta que dos versos faz
A rosa do amor que és real
A espada da luta ao ideal
Falsas Memórias
Qual alma perdida que se esconde
Em castelos onde a perfídia se aprumou
É a vida de um Conde que enfrentou
A todos sem jamais mostrar temor
De sua vida fez escudo na batalha
Sua família perdeu por destemor
E sem nada mais ter para temer
Pois dele o destino não se apiedou
Inimigo igual não se mostrou
Em lugar algum, onde jamais lutou
Mas todo forte um dia é derrotado
Se não for por inimigo desatemorizado
Então por aquela que determina a todos
O dia em que devem partir os doutos
Por saber demais ou não saber o dia
Em que enfim deverão morrer
E do pouco que sei, que me guarda ainda
A vida que sigo, que do fim se aproxima
Inimigo pior não conheci em vida
A minha própria derrota resumida em cinda
Que com meus pais tive por toda a vida
Mas enfim partirei para com eles ter
E se meu povo, de mim se envergonha
A meus pais, qual criatura enfadonha
Devo desculpas a todos que conheci
Admito pois, não vivi, senão para mim...
Em verdade acredito que morri
Na primeira batalha que travei
E da verdade desde então me distancio
Cada vez mais,
E mais,
Resta apenas...
O Vazio!
Por Johnathas M. B.