janeiro 15, 2004

Anteneurose

"Chove muito, mais, sempre mais... Há como que uma coisa que vai desabar no exterior negro...
Todo o amontoado irregular e montanhoso da cidade parece-me hoje uma planície, uma planície de chuva. Por onde quer que alongue os olhos tudo é cor de chuva, negro pálido. Tenho sensações estranhas, todas elas frias. Ora me parece que a paisagem essencial é bruma, e que as casas são a bruma que a vela.
Uma espécie de anteneurose do que serei quando já não for gela-me corpo e alma. Uma como que lembrança da minha morte futura arrepia-me por dentro. Numa névoa de intuição, sinto-me, matéria morta, caído na chuva, gemido pelo vento. E o frio do que não sentirei morde o coração actual."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em janeiro 15, 2004 08:10 PM
Comentários

Não copie mais Fernando Pessoa. Tenho seus livros em casa...

Afixado por: _Lestat_ em janeiro 16, 2004 12:02 AM

Com todo o respeito _Lestat_, se não gosta salte por cima ou espere até eu colocar Nietzsche (o seu favorito). Como autor, acho que sou eu que decido o que quero ou não colocar no blog.

Afixado por: Conde em janeiro 16, 2004 12:36 AM