janeiro 21, 2004

Taça De Crânio

Este é um poema de Lord Byron, com o título "Versos Inscritos Numa Taça Feita De Crânio". Clike em baixo para ler.

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Lord Byron

Publicado por Conde em janeiro 21, 2004 10:52 AM
Comentários

Byron tinha a capacidade de se diluir na própria escrita. Tu pegaste nele ao colo ao ler esse poema. Sentiste. A missão foi cumprida.

Afixado por: Wyrm em janeiro 22, 2004 01:26 AM