janeiro 26, 2004

Desenho Nocturno

Sempre que posso... percorro o teu corpo com os meus dedos à procura de um motivo para parar. Mas infinitas são as curvas que desenho com eles nessa tua pele de tela branca. E enquanto desenho, os meus olhos tiram-te fotografias que só se revelam no meu inconsciente, aparecendo como pequenas películas nos meus sonhos esquecidos. É naquelas noites, em que o frio lá fora insiste em bater à janela e o uivar dos lobos invade a nossa privacidade, que eu me perco em danças ocultas no teu corpo, deslizando por essas curvas infinitas que os meus dedos criam... sempre que posso.

Publicado por Conde em janeiro 26, 2004 02:02 AM
Comentários

Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo
que ambos empunhamos na cidade clandestina
Quando as manhas cheiravam a óleo e a flores
e o Inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos
para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos.

António Gedeão

Afixado por: Carlota Maria em janeiro 26, 2004 10:38 AM