"Todos os pássaros sossegaram.
As crianças desceram das árvores, guardaram os jogos, recolheram a casa.
Levanto a cabeça e deixo a voz deambular por dentro deste silêncio de água e estrelas.
A noite está próxima.
Deixo o corpo escorregar na poeira luminosa.
Acendo um cigarro, ponho-me a falar com o meu fantasma.
Longe daqui, a cidade enfeitou-se com os seus crimes de néon, com as suas traições... ouço hélices de barcos,
motores... quando um rosto esvoaça ao alcance da mão."
Al Berto
Publicado por Conde em fevereiro 4, 2004 11:21 AM"Acendo um cigarro, ponho-me a falar com o meu fantasma."
Mas no meu caso... nenhum rosto esvoaça ao alcance da mão. Não existe nenhuma cidade. Só os crimes de néon inundam a cabeça, volatilizando o pensamento, arrastando-me ainda mais para o fundo... rompendo o casco da jangada da minha vida... onde mastros e velas e hélices são tudo palavras ao vento, dirigindo um barco inexistente ao sabor da maré dos esgotos...
a.morais.