maio 07, 2004

Delírios

Passo horas de convívio taciturno comigo mesmo... eu... e um copo de absinto, talvez imaginário, mas sinto o seu calor espalhar-se pelo corpo, sinto a sua inflamável embriaguez em mim. A madrugada pesa-me nas pálpebras. Lá fora, o som de uma rua vazia de vida e a ameaça de um sol ainda distante. Entorno-me sobre os lençois e sonho delírios inimagináveis...

Publicado por Conde em maio 7, 2004 03:07 AM
Comentários

LINDOOOOOOOOOOOO!

Afixado por: Ikkuna em maio 9, 2004 10:54 AM

são incontáveis as horas em que sou companhia ou lado de mim mesma... eu e um copo de néctar quase imaginário, que ora nasce doce e denso dos dedos que mordo devagarinho ora se socorre dos pensamentos mais profundos e desenraizados de consciência, quando sou só ser da terra que se mistura de mãos e joelhos com os instintos, num entendimento das essencialidades mais básicas e fundamentais que não carecem de contornos ou formas.
nesses momentos é fácil aceitar: as coisas são o que são. porque é outro o mundo.
lá fora o gemer de uma calçada cheia de passos alguns onde só os candeeiros bola parecem povoados de qualquer coisa, eles-os insectos-que descontinuam a verdade-são muitos-são tantos, ou sinónimos de sóis não nascidos à espera do amanhecer.
não ouso o sonho se ele me prende asas às costas e me fala da inevitável extinção dos que não se ajustam ao meio.
restam eles, os delírios (inconfessáveis)... o sabor exótico e ácido que se esquece nos meus lábios e com que acendo as manhãs.

Afixado por: Ana em maio 9, 2004 04:58 PM

Muito obrigado pela beleza do seu comentario. Gostaria de o colocar como um post do blog.. se permitir.

Afixado por: Conde em maio 9, 2004 06:30 PM

... claro que sim Conde, as minhas palavras nasceram das suas, ou poderei dizer que o entendimento das suas nos trouxe as minhas. logo, serão tão minhas quanto suas, pela partilha do que lhe está associado ou do que lhe deu origem, um estar, um estado que nos é comum, creio.
sem atrevimentos, sorrio...

Afixado por: Ana em maio 9, 2004 08:35 PM