"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
Florbela Espanca
Publicado por Conde em maio 18, 2004 11:47 PMum dos sonetos mais belos que ela alguma vez escreveu...
Afixado por: Nair em maio 19, 2004 10:58 AMÉ de facto belo... Continua
Afixado por: whoami em maio 19, 2004 01:17 PMObrigado Alteza! Sois muito generoso!
Escolheste logo um muito especial para mim...
"lágrimas... ninguém as vê cair dentro de mim!"
ad aeternum vale...