uma vez mais
as rodas enormes rodam, rolam,
giram metros, quilómetros,
distâncias ao som de um tiquetaque surdo,
e afastam-me do ponto de partida,
que escurecido ou obscurecido pelo vidro embaciado, se esquece,
ponto diminuto agora passado.
não o vejo porque olho em frente,
decidida observo o vidro através do vidro e a minha vontade trespassa-o,
estilhaçando-o.
vejo-me correr à minha frente,
acompanhando o vento e chamando-o de contratempo
por ser norte e eu me sentir sul.
bebo-o, insaciável, e retenho-o como alento...
poderia voar!
de repente poderia até aceitar
que aquilo que vejo no horizonte é uma luz,
e que as paredes que embraçam, enlaçam, a minha marcha,
são claustrofobicamente vazias, isentas de vigilância,
e se poderiam chamar de "túnel"... túnel agonia.
sufoco, por minha conta e risco,
na ansiedade de chegar, pertencer
e o tiquetaque...
mas a luz que brilha ao fundo,
no fim do meu caminho aguarda,
presença continua da entrada de minha casa, chamando.
as rodas enormes rodam, giram velozes,
trazem-me e perseguem-me,
e regresso pela circunferência óbvia das milhares de milhas,
a onde parti.
depois de me ter perdido num simples piscar de olhos,
viagem alucinante do respirar, ou inspirar,
quando espreitei a noite entreabrindo a porta
(...estremeço...)
foi o meu espírito que se escapou?
"vejo-me correr à minha frente/
acompanhando o vento/ e chamando-o de contratempo
por ser norte e eu me sentir sul/." Pois é, Ana, quem sabe escrever, sabe. E só os poetas escrevem assim.
Um miminho e bom fds
Boas. desculpa não estar aqui para comentar este belo texto. Preciso de um favor vosso. Digam ao Sir Karl-Goth que preciso de falar com ele... Melhor... se estiveres a ler isto, diz me qq coisa para o mail. O assunto a discutir é a peça que aqui divulgaste... "Diz me tu que tempo". Aguardo ansiosamente por uma resposta. Abraços. ;)
Afixado por: V1ctor em julho 11, 2004 02:46 PM