"Dormia tudo como se o universo fosse um erro; e o vento, flutuando incerto, era uma bandeira sem forma desfraldada sobre um quartel sem ser. Esfarrapava-se coisa nenhuma no ar alto e forte, e os caixilhos das janelas sacudiam os vidros para que a extemidade se ouvisse. No fundo de tudo, calada, a noite era o túmulo de Deus (a alma sofria com pena de Deus). E, de repente - nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade - o vento assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia vontade de ter estado a dormir."
Fernando Pessoa
Publicado por Conde em agosto 3, 2004 11:55 PMGrande, grande Fernando Pessoa.
Parabéns pela escolha.
Oféliazinha
Fernando Pessoa sempre me encantou, fosse na prosa ou na poesia... mas especialmente na poesia. Adoro cada palavra envolvente no silêncio da sua morte... no entanto este viverá para sempre nos nossos corações. Bjs***
Afixado por: †Profetiza†Morta† em agosto 14, 2004 02:18 AM