"Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
-- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!"
Florbela Espanca
Publicado por Conde em agosto 31, 2004 12:23 PMMuito bonito, como sempre é o que é de Florbela. Até a tortura pode ser bela assim descrita e lida.
Afixado por: Carlos em setembro 1, 2004 12:46 PMBelíssimo, sim... já tinha saudades...
Afixado por: Lady Nox em setembro 1, 2004 08:31 PM