março 21, 2005

Em Carne Viva

"Em Carne viva
eu vivo.

Aranha dentro do vidro, espelho. Ela olha-te.
Passa-me a língua. Até a cortares. Até sentires,
a língua,
em carne viva.

Passa esses teus olhos húmidos,
pelas minhas pernas.
Cospe-me fumo, e olha-me.

Absorve cada letra da minha voz, e deixa que te toque.
Que te arranhe.
Que te lamba a orelha.

Em Carne viva,
Eu vivo.

Arrastado pela confusão,
sempre fora do caixão,
que nunca se deveria ter aberto.

Eu morro.
Eu morro,
para que me sintas,
Em carne viva."

Aires Ferreira

Publicado por Conde em março 21, 2005 09:19 PM
Comentários

A curiosidade para ler este livro aumenta. Obrigada pela partilha!

Afixado por: Filipa Epifânio em março 23, 2005 06:46 PM

a PULSÃO DAS LÍNGUAS NOS VENTRES QUENTES. aS CARNAIS ARANHAS NO DESESPERO DA NOITE FRIA TECENDO SUA MAVIOSA seda por necessidade ao luar azul que ilumina o perigo. mais uma noite. Be my guest! Salvé!

Afixado por: lubu_mao em março 24, 2005 03:01 AM

Senhor Conde
Há coisas na vida duma estranheza invulgar.Estava eu a ouvir Diamanda Galás, e "navegar"um pouco pelos blogs que ainda não conhecia, e deparei-me com este poema, que assenta como uma luva à musica da Galás. O limite do vermelho e do negro, os sentidos descontinuados da nossa vida enquanto "carne" pensante e desafiadora dos extremos...
Ai, que isto é muito forte para mim...Já me baralhei.Afinal já fiz 40.Hélas.Há pouquinho tempo...Desafortunadamente...

Afixado por: valeria em março 27, 2005 08:00 PM

Fiquei muito satisfeito de me cruzar com o meu próprio texto numa pesquisa cibernética.
Muito obrigado a todos pelos gentis comentários.

Aires.

Afixado por: Aires Ferreira em abril 4, 2005 04:04 AM