julho 31, 2003

Procuro-me

"...agora procuro o desígnio da vida. Ás vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. Escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. Depois queimo tudo e prossigo a minha busca."

Mão Morta
(In "Tu Disseste")

Publicado por Conde em 07:16 PM | Comentários (3)

Insanidade

"Eu não sofro de insanidade, aprecio cada minuto dela."

Edgar Allan Poe

Publicado por Conde em 01:42 PM | Comentários (1)

Estranhos Caprichos

O amor por vezes provoca uma agonia interior indescritível... como se o coração inchasse de dor tirando folga à respiração. Estranhos caprichos tem o amor, que por vezes nos inunda de alegria, mas outras nos consome lentamente, parecendo um parasita alimentando-se das defesas egocêntricas que a nossa mente construiu ao longo de anos de desilusões. Se pudesse evitava-o. Mas não consigo. É inútil ignorá-lo, pois a infelicidade será maior. Resta então perder-me no desespero desta tempestade e esperar que apenas seja passageira... e será concerteza, pois o amor tem estranhos caprichos. E como diria Brandon Lee no seu último filme... "It can't rain all the time."....

Publicado por Conde em 12:52 AM | Comentários (9)

julho 30, 2003

Artificial

"A beleza de um corpo nú só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.
A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque ainda não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.
A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural.
O que é preciso, porém, é que nunca tomemos o artificial por natural.
É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 03:51 PM | Comentários (0)

Sol Indesejado

Este sol que brilha pela minha janela, ilude-me dos meus sentimentos. Engana-me maliciosamente, como um balde de tinta cobre as fendas de uma parede velha. Mesmo a própria parede encontra dificuldade em se revelar a ela própria. Assim me sinto eu com o sol...astro maldito e sedutor, cria miragens em tudo que ilumina. És belo, és acolhedor, mas mentes com quantos raios tens. Se te pudesse amar... talvez entendesse a tua felicidade, mas a minha alma não tolera mais ilusões, além das que eu já vivo. Aguardo... de persianas fechadas pelo esplendoroso escurecer e pela palpitante chegada da minha doce e fiel lua...

Publicado por Conde em 12:08 PM | Comentários (8)

Trevas

Deixem-se mergulhar nas trevas por este poeta de nome Lord Byron, que escreve com toda a temática romântica, niilista e mórbida, característica de Londres do século XIX. Clike em baixo para ler "Trevas".

Trevas

Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vaguejavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã - veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; cidades consumiam-se
E os homens se juntavam juntos às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes quanto residiam bem à vista
dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
queimavam-se as floresta - mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se - e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo - e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos,; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas - e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só - e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam os seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e os famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga - ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Porém, de uma cidade enorme resistiram,
Dois inimigos, que vieram encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles as revolveram
E trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
Para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de um arremedo; então alcançaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro - ao ver, gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara a fome "diabo". O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era um informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte - um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
Mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a Escuridão não precisava
De seu auxílio - as Trevas eram o Universo.


Lord Byron

Publicado por Conde em 02:28 AM | Comentários (3)

julho 29, 2003

Sem Inspiração

Procuro inspiração para escrever algo nesta entrada, mas as ninfas abandoram a minha alma perdida... Com "O Livro do Desassossego" na mão e "As Flores do Mal" na cabeceira, vasculho o meu interior por algo verdadeiro e fiel aos meus sentimentos para escrever. Mas o grande fardo de usar uma máscara transforma tudo em ilusões e falsidades, concedendo-me apenas a oportunidade de abandonar estas quatro paredes e sair pela noite fora, caminhando incessantemente e procurar por mim próprio reflectido em algum espelho ou vidro...

Publicado por Conde em 08:49 PM | Comentários (4)

Noite

"Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine do futuro."

Fernando Pessoa
(In livro do desassossego)

Publicado por Conde em 01:03 PM | Comentários (4)

Embriaga-te

Título sugestivo... mas será que o estado de embriagez só pode ser provocado por álcool? Descubra a resposta num poema embriagado em deliríos de liberdade da autoria de Charles Baudelaire. Clike em baixo para ler "Embriaga-te".

Embriaga-te

Devemos andar sempre bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.


Charles Baudelaire

Publicado por Conde em 01:25 AM | Comentários (3)

julho 28, 2003

Realidade

"A realidade é só uma ilusão criada pela falta de álcool."

Gabe

Publicado por Conde em 08:48 PM | Comentários (0)

julho 27, 2003

Sonho Taciturno

As palavras fogem-me. O vazio que sinto por dentro farta a minha alma, como se cheio eu estivesse. Neste chão frio em que me sento, jaz por baixo o teu cadáver adormecido... deitado sobre o odor inaudível da terra húmida. A tua pele branca...os teus lábios sem vida...exaltam o sangue em mim, obrigando-o a fervilhar em todos os músculos do meu corpo...porém estou exausto e não tenho forças nem sequer para abrir os olhos, ficando assim, com a leve impressão de que tudo isto foi real...

Publicado por Conde em 02:36 PM | Comentários (2)

Fome de Infinito

"A minha fome tem estranhos caprichos. Muitas das vezes só me aparece depois de comer"

Assim Falava Zaratustra

Nietzsche

Publicado por Conde em 12:53 PM | Comentários (0)

O Cemitério

Mais um poema... Desta vez com uma temática mais profunda e sombria, o famoso locus horrendus materializado em palavras rebuscadas no fundo duma alma sem descanço...

O cemitério

Da minha janela vê-se um cemitério,
Antigo, da idade dos anos
Abriga mortos de adultérios
Seres perfeitos, ou seres humanos

Passeiam-se na penumbra do entardecer
Multidões de corvos de bico alimentado
Por almas moldadas a um florescer
Que nenhuma mão havia regado

E a lua roça nos túmulos vazios,
Assim como nos galhos de uma árvore escondida
À sua volta o conforto dos terrenos baldios,
Inebria os corpos sem vida

Acaba a visão magnífica com o fechar de persianas
Abertas outrora por infindáveis portos...
Gravando no meu coração das tumbas medianas:
“Não há glorias a alcançar no reino dos mortos”.


Conde 25 / 07 / 01

Publicado por Conde em 01:12 AM | Comentários (3)

julho 26, 2003

Música

Para aquelas almas insaciáveis de melodia para acompanhar negros e solitários pensamentos, e também para aqueles que gostam de musica clássica gótica, aqui vai um site que vale a pena visitar, pois disponibiliza uma colecção de midis de musicas clássicas forjadas nas trevas por compositores como Beethoven, Verdi, Chopin, etc.

Publicado por Conde em 12:17 PM | Comentários (23)

Melancolia

O que é a melancolia? Será um momento em que buscamos infinitamente a felicidade, sabendo que nunca a iremos alcançar? Será um leve beijo da tristeza? As repostas são muitas... mas só podemos definir através de algo irracional...algo subjectivo, e nada melhor do que este poema de minha autoria, para vos ajudar a compreender...ou talvez deixar-vos ainda mais pensativos. Clikem em baixo para ler o poema "Ilha Remota".

Ilha remota

Em pleno mar espelhado
Embalada por ventos suaves
Uma ilha recorta no espelho salgado
A silhueta do canto de aves,

As nuvens da sua humidade vital,
Que regam os verdes em branco de marfim,
Contemplam-lhe os cabelos sem fim
Ao voar na suave brisa matinal,

Como é perfeita...
Esta paz embrenhada na beleza...

Bebo mais um gole desse sonho lavado em céu azul,
E navego num mar de peixes que eu não sei,
Tamanho paraíso só pode ser no sul
Da alegre alma que não encontrei.

Conde 25 / 07/ 01

Publicado por Conde em 01:34 AM | Comentários (6)

julho 25, 2003

O Gato

Charles Baudelaire, o autor de "As Flores do Mal", uma obra que reúne quase todos os poemas escritos por este senhor da poesia francesa. A sua popularidade em frança é equivalente à de Fernando Pessoa em portugal. Hoje exponho aqui o poema "O Gato".

O Gato

I

Por meu cérebro vai passeando,
Tal como em seu apartamento,
Um gato de todo encantamento,
e de inaudito miado brando,

Tanto o seu timbre é o mais discreto;
Mas, se é a voz calma ou iracunda,
Ela sempre é rica e profunda:
Este é o seu encanto secreto.

E a sua voz em mim infiltro,
No meu fundo mais tenebroso,
Doce qual verso numeroso
Consoladora como um filtro,

Abranda o mal que na alma lavra,
Contendo os êxtases e as pazes;
Para dizer as longas frases
Nunca precisou da palavra.

Certo não há arco que fira
Meu coração, este excelente
Órgão e o faça nobremente
Cantar só como canta a lira,

Como esta voz, ó misterioso,
Gato seráfico e esquisito
Em que tudo é, como num rito,
Tanto sutil quanto harmonioso!

II

Destas lãs louras e morenas
Sai um olor doce de pelos,
Que me perfumei só por tê-los
Afagados uma vez apenas.

É como os manes da morada;
Preside no seu magistério
Todas as coisas deste império:
Seria talvez Deus ou fada?

Quando o olhar para este gato a esmo,
Como por um ímã atraído,
Se dirige, e tão sucumbido,
E que eu olho para mim mesmo,

Eu vejo com olhar demente
A luz destas pupilas ralas,
Claras fanais, vivas opalas,
Que me contemplam fixamente.


Charles Baudelaire
(Tradução Jamil Almansur Haddad)

Publicado por Conde em 04:46 PM | Comentários (0)

Ler e Escrever

Assim Falava Zaratustra, uma obra de referência para qualquer intelectual, uma bíblia para qualquer ateu. Escrita por Friedrich Nietzsche, o homem que chocou e abalou a sociedade cristã do século XIX. Clike em baixo para ler um capítulo do livro, entitulado "Ler e Escrever".

Assim Falava Zaratustra

Ler e Escrever

De quanto se escreve, só amo alguém que escreve com o seu sangue. Escreve com sangue , e descobrirás que o sangue é espírito.
Não é nada fácil compreender o sangue alheio; eu detesto todos os que lêm como ociosos.
Quando se conhece o leitor, já nada se faz pelo leitor. Mais um século de leitores, e o próprio espírito será um fedor.
Que toda a gente tenha o direito de aprender a ler, eis o que com a continuação vos aborrece não somente de escrever mas de pensar.
Outrora o espírito era Deus, depois fez-se homem, agora transforma-se na populaça.
O que escreve com o seu sangue e em máximas, não quer ser lido, mas decorado.
Nas montanhas, o caminho mais curto vai de cimo a cimo; mas para isso é preciso ter pernas altas. As máximas devem ser cumieiras, e aqueles a quem as destinas devem ser esbeltos e altos.
O ar leve e puro, o perigo próximo e o espírito pleno de alegre malícia, tudo isto se harmoniza maravilhosamente.
Gosto de me ver rodeado por duendes maliciosos, porque sou corajoso. A coragem afugenta os fantasmas, mas cria os seus próprios duendes. A coragem gosta de rir.
Sinto todas as coisas diferentemente de vós; a nuvem que distingo abaixo de mim, escura e carregada, e de que me rio - é para vós uma nuvem tempestuosa.
Vós olhais para cima, porque aspirais a elevar-vos. E eu, como estou no cimo, olho para baixo.
Qual de vós sabe ainda rir?, mesmo depois de ter atingido o cimo?
O que escala os mais elevados montes ri-se das cenas trágicas do palco como da gravidade trágica da vida.
Corajosos, despreocupados, zombeteiros, imperiosos, assim nos quer a sabedoria; é mulher e só pode amar guerreiros.
Vós me dizeis: "A vida é um fardo pesado." Mas para que vos servem o vosso orgulho matinal e a vossa resignação da tarde?
A vida é um fardo pesado? Não vos mostreis tão contristados! Não passamos todos de uns bons burrinhos e burrinhas de carga.
Que temos de comum com o botão de rosa que verga sob o peso de uma gota de orvalho?
É verdade que se amamos a vida, é por estarmos mais habituados a amar do que a viver.
Há sempre o seu quê de loucura no amor. Mas há sempre o seu quê de razão na loucura.
E quanto a mim, que gosto da vida, parece-me que aqueles que melhor se entendem com a felicidade, são as borboletas e as bolas de sabão, e tudo o que entre os homens se lhes assemelhe.
Ver revolutear essas alminhas aladas e loucas, graciosas e movediças, é o que arranca a Zaratustra vontade de chorar e de cantar.
Eu só acreditaria num Deus que soubesse dançar.
E quando vi o meu Diabo, achei-o grave, meticuloso, profundo, solene; era o espírito de Gravidade. É ele que faz cair todas as coisas.
Não é a cólera, é o riso que mata. Adiante! matemos o espírito de Gravidade!
Eu aprendi a andar: desde então deixei de esperar que me empurrassem para mudar de sítio.
Vede como me sinto leve; vede, estou a voar; vede, agora vejo-me do alto, como um pássaro; vede, um Deus dança em mim.

Assim Falava Zaratustra...

Friedrich Nietzsche

Publicado por Conde em 12:09 PM | Comentários (7)

julho 24, 2003

Estreia

Bem-vindos à primeira entrada deste blog sobre literatura e poesia gótica! Durante os próximos meses e anos que decorrerão este blog irá tranformar-se num...

Bem-vindos à primeira entrada deste blog sobre literatura e poesia gótica! Durante os próximos meses e anos que decorrerão este blog irá tranformar-se num importante instrumento de pesquisa sobre o gótico na literatura, na poesia e outras artes. Tentarei manter com todo o meu esforço esta futura biblioteca de alexandria diáriamente actualizada. E espero que seja do vosso agrado as eternas palavras que aqui serão proferidas... Obrigado!

Publicado por Conde em 08:09 PM | Comentários (33)