janeiro 31, 2004

Coisas De Sonho

"As coisas sonhadas só têm o lado de cá... Não se lhes pode ver o outro lado... Não se pode andar à roda delas... O mal das coisas da vida é que as podemos ir olhando por todos os lados... As coisas de sonho só têm o lado que vemos... Têm amores só puros, como as nossas almas."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 12:39 PM | Comentários (1)

janeiro 30, 2004

O Beijo


Sublimes, os teus caninos invadem o meu sangue. As horas morrem e a eternidade vem abraçar-me num abismo de delírios vampirescos. O frio vem assistir à minha morte...

Imagem de Edvard Munch

Publicado por Conde em 11:04 AM | Comentários (4)

janeiro 29, 2004

Transparência

Ás vezes penso que a vida não passa de um momento onde caminhamos por um limiar transparente até que se esgotem os passos que damos sem direcção nenhuma. Caminhamos, caminhamos sem parar e no entanto não saímos do mesmo sítio, porque todos os lugares são o mesmo lugar, apenas mudam as variáveis de uma equação que não se pode resolver. Um neon que pisca numa noite chuvosa é igual á fogueira que arde na clareira da floresta, apenas muda a maneira como a olhamos e sentimos, alterando a sua visualização. É um desgosto que me invade, saber que os meus próprios olhos me mentem, mas mesmo este pensamento vos engana... Olhar para ele é como não olhar para nada. Quando tudo me atraiçoa, nem a mais bela das sensações me seduz.

Publicado por Conde em 11:49 PM | Comentários (2)

Vício Negro

"Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 05:10 PM | Comentários (3)

janeiro 28, 2004

Citação XXIV

"Somos limitados por tudo o que não sentimos."

Natalie Barney

Publicado por Conde em 09:11 PM | Comentários (6)

janeiro 27, 2004

Emoções Confusas

"...no desalinho triste das minhas emoções confusas...

Uma tristeza de crepúsculo, feita de cansaços e de renúncias falsas, um tédio de sentir qualquer coisa, uma dor como de um soluço parado ou de uma verdade obtida. Desenrola-se-me na alma desatenta esta paisagem de abdicações - áleas de gestos abandonados, canteiros altos de sonhos nem sequer bem sonhados, inconsequências, como muros de buxo dividindo caminhos vazios, suposições, como velhos tanques sem repuxo vivo, tudo se emaranha e se visualiza pobre no desalinho triste das minhas sensações confusas."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 01:42 PM | Comentários (3)

O Abrigo Das Palavras

Quando o vento transporta as palavras e a fala fica suspensa num olhar intermitente de um néon, é que eu vislumbro a beleza que passeia nas suaves brisas entre as sílabas dos teus lábios, guardando a frieza de uma lâmina que corta o corpo ao som do tilintar do desejo no meu pensamento. A gota de sangue que escorre pelo peito de porcelana, encontrando os teus harmoniosos dedos numa fusão carnal que os corvos cantam, silenciando o som das minhas palavras que continuam perdidas pelo vento numa viagem subtil, procurando por um lado quente onde se possam abrigar em ti.

Publicado por Conde em 01:25 AM | Comentários (2)

janeiro 26, 2004

Desenho Nocturno

Sempre que posso... percorro o teu corpo com os meus dedos à procura de um motivo para parar. Mas infinitas são as curvas que desenho com eles nessa tua pele de tela branca. E enquanto desenho, os meus olhos tiram-te fotografias que só se revelam no meu inconsciente, aparecendo como pequenas películas nos meus sonhos esquecidos. É naquelas noites, em que o frio lá fora insiste em bater à janela e o uivar dos lobos invade a nossa privacidade, que eu me perco em danças ocultas no teu corpo, deslizando por essas curvas infinitas que os meus dedos criam... sempre que posso.

Publicado por Conde em 02:02 AM | Comentários (1)

janeiro 24, 2004

Sonho

"Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Porque fiz eu dos sonhos
A minha única vida?"

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 07:26 PM | Comentários (4)

janeiro 23, 2004

O Convertido

"Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe!"

Antero De Quental

Publicado por Conde em 10:14 PM | Comentários (2)

Insanidade

Nos sonhos que vivo apenas retenho o anoitecer, como a pena que escorre o seu óleo para o mundo. A dor acompanha os movimentos que exponho sempre que eles são banhados com intenção. O fim desenha-se perto, o destino começa a tornar-se claro aos meus cegos olhos. Sobre nada escrevo, sobre tudo escrevo. Para todos escrevo, para niguém também...

Publicado por Conde em 10:05 PM | Comentários (0)

janeiro 22, 2004

Ladrão De Reflexos


O espelho revela quem eu sou. Mas o que me habita não pode ser reflectido por espelho nenhum.

Publicado por Conde em 10:45 AM | Comentários (2)

janeiro 21, 2004

Citação XXIII

"Uma mente consciente não impede de pecar, apenas impede de disfrutar esse pecado."

Autor Desconhecido.

Publicado por Conde em 05:21 PM | Comentários (2)

Taça De Crânio

Este é um poema de Lord Byron, com o título "Versos Inscritos Numa Taça Feita De Crânio". Clike em baixo para ler.

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Lord Byron

Publicado por Conde em 10:52 AM | Comentários (1)

janeiro 20, 2004

Pedra Em Seda

Nos passeios da mente, caminham os meus pensamentos. Perdidos e soltos de qualquer significado. Estoiram insistentemente, deixando-me exausto e vazio como uma pedra embrulhada em seda. E já nem a negritude dos meus horizontes se ocultam, expondo-se assim em toda a superfície iluminada. Uma negra rosa, que espalha as suas pétalas pelo vento. É como eu me liberto destes pensamentos sempre que eles me roubam a lucidez...

Publicado por Conde em 10:32 AM | Comentários (4)

janeiro 19, 2004

Alegria Breve

"Desesperadamente alegria... Comovo-me? Enterra os teus mortos e a terra será fértil com novas flores."

Vergílio Ferreira

Publicado por Conde em 09:36 PM | Comentários (0)

A Senhora De Negro


Num manto escuro o seu veludo apaga vidas, como se habitassem meras páginas escritas a carvão.

Publicado por Conde em 05:30 PM | Comentários (3)

Tarde De Inverno

"Trago o corpo de minha mulher embrulhado num lençol. É estranho como pesa. Dir-se-ia que a terra o exige com violência. Gostaria de a olhar pela última vez, e no entanto não é fácil. O lençol branco confunde-se com a neve. Assim é como se o corpo se confundisse também. A toda a borda da cova, a neve ficou suja da terra acumulada. Será a fundura bastante? Metro e meio, talvez. De comprimento está bem. Encosto-me ao cabo da enxada e é estranho que não reconheça em mim um sentimento distinto. Cansaço, decerto. E o orgulho. E o medo. Será tudo o mesmo? E a resignação, talvez, ou mesmo a plenitude. Estás velho, como o não sabes? Estás velho. Talvez seja assim a velhice: um esgotamento longo de tudo. E no centro, breve, uma verdade final. Como um objecto precioso que se tira da terra e se limpa - qual a tua verdade final? Mas estou tão cansado. Agora não. Olho a aldeia abandonada, perdida na montanha, ouço o silêncio. E sinto-me aí disperso, irrisado em espaço, íntegro e puro. E nu. Mas quando vou a erguer o corpo, não resisto: subtilmente afasto as dobras do lençol. Então Águeda aparece-me á última luz da tarde de Inverno. Magra, sisuda, indignada com a vida. Pus-lhe o terço nas mãos, um pouco talvez para a reconciliar consigo, para ter um sono mais fácil. Mas a face aqreste de boca cerzida, as mãos quase enclavinhadas fixaram para sempre a imagem do seu desespero."

Vergílio Ferreira

Publicado por Conde em 10:24 AM | Comentários (1)

janeiro 18, 2004

Conto Esquecido

As penas dele caíram. Os seus gemidos preencheram o vazio da caverna de uma melancolia e desesperos profundos. O seu fim chegara e ele não estava preparado. Em delírio desmaia e começa a relembrar em sonhos o início de tudo, de quando se transformou de humano para algo mais. Para ele os humanos sempre foram algo que deveria ser ultrapassado, para ele ser humano era não estar em equílibrio com o mundo e era apenas uma fase, sempre achou que algo em si estava incompleto. Estava certo.
Num dia ele desapareceu de si próprio e acorda seis meses depois numa caverna. Ao abrir os olhos não consegue ver nada e infiltra-se nas suas narinas um cheiro quente e desagradável. Sentiu-se como que dentro de um útero. Rasgou o tecido fino e caíu no chão de pedra da caverna coberto de uma massa gelatinosa. Mesmo com a súbtil luz da caverna os seus olhos doeram e só ao fim de alguns minutos de desorientação é que finalmente pode ver que tinha estado dentro de um enorme casulo. Haviam mais na caverna, mas os seus ocupantes já não passavam de cadáveres em decomposição. No entanto pôde reparar que todos tinham asas com penas brancas que rompiam das suas costas. Olhou para trás e viu também o seu par de asas mas de penas negras como as de um corvo. Sentiu-se bem consigo próprio e não só estava diferente fisicamente mas sentia que também algo tinha mudado na sua mente, deixou se sentir frágil.
Saiu da caverna e foi mostrar ao mundo o que ainda ninguém conhecia sobre a incompleta raça humana, mas foi mal recebido. Regressou desiludido e desistiu dos humanos, passando a viver a sua vida na caverna, onde agora se encontra no fim.
Recupera lentamente do desmaio e dispara um choro agoniante contra as nuas paredes da caverna. Os morcegos acordam com o desespero de uma presença já habitual. Voam em massas dançando ao som dos gritos de agonia. Um deles agarra-se ao pescoço dele e rouba-lhe o sangue do corpo, como que numa tentativa de lhe aliviar o sofrimento. Ele dá o seu último sopro de vida e deixa-se cair no chão. Pobre criança...

Publicado por Conde em 02:15 PM | Comentários (3)

janeiro 17, 2004

Citação XXII

"Tudo o que vemos ou parecemos não passa de um sonho dentro de um sonho."

Edgar Allan Poe

Publicado por Conde em 08:06 PM | Comentários (4)

O Toque


No silêncio congelante de um toque o tempo perde-se no vazio da eternidade... A vida é consumida nos desígnios da perdição.

Publicado por Conde em 04:09 PM | Comentários (1)

janeiro 16, 2004

A Loucura Na Misericórdia

"Ai! Onde se praticam mais loucuras do que entre os misericordiosos? E haverá no mundo maior causa de sofrimento do que as loucuras dos misericordiosos?
Pobres dos que amam, se não sabem dominar a sua própria piedade!
O Diabo falou-me assim um dia: «Deus também tem o seu inferno; é o seu amor pelos homens». E recentemente ouvi-lhe dizer estas palavras: «Deus morreu; foi a sua piedade pelos homens que o matou»."

Nietzsche

Publicado por Conde em 11:42 AM | Comentários (2)

Fio De Licor

A esperança perde-se num fio de licor que torna doce o amargo rebordo do copo. A inspiração nasce no estomago quente e acolhedora, esvaindo-se depois pelo resto do corpo até me esgotar. E o toque da seda nos meus lábios transporta-me para onde não vivo, apenas sinto. Sinto tudo. Cada ponto no corpo sente. Cada eu, junta-se e vive o mesmo momento roubado ao tempo. E ao regressar dessa dança dos sentidos, pego nas minhas coisas e sigo um caminho noite fora ao som do luar, deslizando ainda na seda humedecida por esse fio dourado de licor.

Publicado por Conde em 01:13 AM | Comentários (1)

janeiro 15, 2004

Anteneurose

"Chove muito, mais, sempre mais... Há como que uma coisa que vai desabar no exterior negro...
Todo o amontoado irregular e montanhoso da cidade parece-me hoje uma planície, uma planície de chuva. Por onde quer que alongue os olhos tudo é cor de chuva, negro pálido. Tenho sensações estranhas, todas elas frias. Ora me parece que a paisagem essencial é bruma, e que as casas são a bruma que a vela.
Uma espécie de anteneurose do que serei quando já não for gela-me corpo e alma. Uma como que lembrança da minha morte futura arrepia-me por dentro. Numa névoa de intuição, sinto-me, matéria morta, caído na chuva, gemido pelo vento. E o frio do que não sentirei morde o coração actual."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 08:10 PM | Comentários (2)

Abismo De Papel

Choro sobre as minhas palavras lágrimas de sangue, que escorrem folha abaixo desenhando como um pinçel uma linha encarnada. É nessa linha que que jaz o meu ego, separando a folha em duas metades vazias de tempo e espaço. As palavras dançam adormecidas expondo as suas texturas de papel. E a linha sangrenta torna-se o abismo onde todos me habitam, escondidos do mundo e adormecidos. Esses habitantes de um só nome são parte de mim, um só a conduzir milhares. Eles escrevem as palavras sobre as quais choro as últimas gotas do teu sangue...

Publicado por Conde em 12:00 PM | Comentários (7)

janeiro 14, 2004

No Alto Do Mundo

"Vós olhais para cima, porque aspirais a elevar-vos. E eu, como estou no alto, olho para baixo. Qual de vós sabe ainda rir, mesmo depois de ter atingido o cimo?
O que escala os mais elevados montes ri-se das cenas trágicas do palco como da gravidade trágica da vida."

Nietzsche
In "Assim Falava Zaratustra"

Publicado por Conde em 01:01 PM | Comentários (3)

janeiro 13, 2004

A Recusa Do Anjo


A solidão fez-me ganhar asas com as quais permaneço sentado a olhar para a sabedoria e a tentação, deixando-me lentamente envolver nesse calor de licores envenenados...

Publicado por Conde em 01:19 PM | Comentários (7)

Sabor A Vazio

"Poder reencarnar numa pedra, num grão de pó - chora-me na alma este desejo. Cada vez acho menos sabor a tudo, mesmo a não achar sabor a nada."

Fernando Pessoa

Publicado por Conde em 11:09 AM | Comentários (12)

janeiro 12, 2004

Marcha Fúnebre

"Morte somos e morte vivemos. Mortos nascemos, mortos passamos; mortos já entramos na Morte.
Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e , porque passa morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida.
A vida é pois um intervalo, um nexo, uma relação, mas uma relação entre o que passou e o que passará, intervalo morto entre a Morte e a Morte."

Fernando Pessoa
in "Livro do Desassossego"

Publicado por Conde em 12:41 PM | Comentários (4)

janeiro 11, 2004

Citação XXI

"Obstáculos são coisas que vemos quando tiramos os olhos do nosso objectivo."

Joseph Cossman

Publicado por Conde em 11:20 PM | Comentários (2)

janeiro 10, 2004

Citação XX

"A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria."

William Blake

Publicado por Conde em 12:36 AM | Comentários (5)

janeiro 09, 2004

Olhar Entre Espinhos


Os seus olhos causam a embriagez de mil e um absintos... Nos seus lábios jaz uma morte doce e envolvente, que nem o mais requintado dos venenos pode oferecer...

Publicado por Conde em 01:38 AM | Comentários (6)

janeiro 08, 2004

Confissão Do Ego

Apenas um desabafo, que uso para aliviar este peso tremendo que me faz rastejar pelo mundo. Só apenas falando de ti, o mundo deixa de ser tão áspero nos meus joelhos... mas é apenas um desabafo que uso para iludir-me do nosso reflexo no espelho da minha íris. E no fim, sei que o peso regressa, incessante e perturbador sobre o meu corpo imóvel e frio de tanto esperar por ti no dia seguinte...

Publicado por Conde em 11:44 PM | Comentários (2)

janeiro 07, 2004

Citação XIX

"As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma."

Oscar Wilde

Publicado por Conde em 11:00 PM | Comentários (6)

janeiro 05, 2004

Mors-Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

Antero de Quental

Publicado por Conde em 08:05 PM | Comentários (6)

janeiro 02, 2004

Assimetria


Aqui sentado eu permaneço. No inverso do mundo, no abrigo das coisas perdidas. Não me sinto perdido, mas sei que vivo em perdição, bebendo o tempo segundo a segundo num copo feito de eternidade, saboreando a falta de oxigénio neste lugar paralelo e assimétrico a todos os outros...

Publicado por Conde em 02:10 AM | Comentários (4)