A perdição.
A doce arte de se perder em desespero. O brilho da sua beleza rasga tecidos de veludo negro.
A perdição.
Baixar os braços e entregar-me ao destino. O seu preço destroça os corpos mais
luxuosos.
Só perdição.
Saborear a morte e a solidão que ela carrega. O seu fardo verga as costas do tempo.
Só perdição.
Morrer de leve sorriso nos lábios e amar a dor que atormenta a alma. A sua imagem não se desenha para todos.
Perdição... a decadente loucura consentida. O amor...
"É noite
Da janela do meu quarto observo alguém que desce a rua solitariamente perdido nos seus muitos pensamentos
(Não estás sozinho)
(Não estás sozinho)
Momentos depois passa um outro alguém e quase que se conseguem ouvir suas lágrimas escorrendo pelo seu rosto
(Não estás sozinho)
(Não estás sozinho)
Decido sair de casa e segui-los
Faço-me à estrada e à medida que me afasto vou sentindo um cheiro nostálgico e angustiante de vida que fica por viver no ar
Algo me prende a respiração
Reparo que estou na beira de um precipício
Lá em baixo mergulhados na penumbra dois vultos que eu rapidamente reconheço
Dois cadáveres
(Junta-te a eles)
(Junta-te a eles)
Nada mais resta além do silêncio e da escuridão mórbida daquele lugar"
Karl Goth
um corpo em falta
em queda
uma falha no equilíbrio das vozes, das linhas
[a não dinâmica]
que sustêm a vontade.
"Abraça-me
Sinto-me só e perdido
E não tenho consolo
Para a minha tristeza
Abraça-me
Estou agonizado
Pelo que me rodeia
Envenenado
Por este Mundo Canibal
Abraça-me
Tenho medo de morrer sozinho
Sem ouvir uma única palavra que seja
Da tua boca angelical
Abraça-me
Porque tudo deixou de fazer sentido
E sei que ninguém me virá salvar
Abraça-me
Pois tenho medo
Desta loucura mortífera
Que me ameaça a toda a hora
De noite ou de dia
Abraça-me meu Anjo
Abraça-me e protege-me
Desta queda irreversível
E ofegante"
Karl Goth
O caminho que me separa de ti... parece interminável.
Imagem de Pedro Oliveira
"Gélida mármore de uma última morada eterna,
Aquecida com o calor da chama dos nossos corpos.
Moldada com a silhueta do teu corpo,
Por meus dedos desbravada.
Procuro com os meus olhos de felino,
Encontrar o berço de tamanha beleza.
Toco com os meus lábios sedentos de carne no teu peito,
Arrepiantes traços de beijos percorrem todo o ventre..
Gritos inaudíveis vindos das campas,
Chamam por nós.
Impelem as nossas vidas para a morte,
Atirando o nosso amor para sempre."
Pedro Oliveira