dezembro 29, 2004

Amor Silêncio Delírio

"As horas passam.
É madrugada fria e gelada.
Este silêncio nocturno
É a minha companhia
Nesta insónia angustiante.
Imóvel sobre a cama
Percorro todos os cantos
Da minha mente cansada
Tentando encontrar algo teu.
Nada encontro senão recordações.
A tua ausência é a causa deste
Desespero doentio.
Quero-te aqui junto a mim.
Impossível.
Estás longe.
Esqueceste-me provavelmente
Mas eu continuo a desejar-te.
Nunca disse que te amava
Mas vontade não faltou.
Digo-te agora.
Na tua ausência e para a tua ausência
Digo gritando: AMO-TE!
E sofro por isso.
Porque te amo.
Quando voltas (se é que voltas)?"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 11:57 PM | Comentários (7)

dezembro 11, 2004

Ilusões Mortas

"Os meus amores vão-se mar em fora,
E vão-se mar em fora os meus amores,
A murchar, a murchar, como essas flores
Sem mais orvalho e a doce luz da aurora.

E os meus amores não virão agora,
Não baterão as asas multicores,
Como as aves mansas -- dentre os esplendores
Do meu prazer, do meu prazer de outrora.

Tudo emigrou, rasgando a esfera branca
Das ilusões, -- tudo em revoada franca
Partiu -- deixando um bem-estar saudoso

No fundo ideal de toda a minha vida,
Qual numa taça a gota indefinida
De um bom licor antigo e saboroso. "

Cruz e Sousa

Publicado por Conde em 11:27 PM | Comentários (5)

dezembro 07, 2004

Deambulatório Mútuo

"Voamos
Tu e eu
Cruzando esses céus de negro pintados
Como espíritos perdidos
Num mundo de ninguém
Fundimo-nos
E dispersamo-nos
Como raios fulminantes
Na mais arrebatadora tempestade
Fazemos do sonho a loucura que nos une
Para assim errarmos eternamente
Num constante metamorfosear
De alucinantes delírios
Passamos do nada ao tudo
E permanecemos esquecidos
Na abstracção da nossa existência
E na ilusão desta mera realidade
Somos um do outro
Sem o sabermos e sem existirmos"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 06:58 PM | Comentários (4)

dezembro 02, 2004

Penumbra

Sopra o silêncio, contra este vento gelado que me paralisa e corta a pele. São luzes que me rodeiam de solidão. Luzes sombrias que habitam esta noite abandonada. E o silêncio rasteja a meus pés... contando-me as negras histórias do meu coração...

Publicado por Conde em 08:53 AM | Comentários (6)