Sopram-se as velas... beijam-se os corpos gelados e eternos. O cheiro intenso da vida a fugir pelas mãos vazias, outrora flamejantes carícias apaziguadoras. Está escuro! Mas todo o meu corpo consegue ver-te. Estás longe! Mas todo o meu corpo consegue tocar-te. Sente-se a respiração apertar...E assim a noite passa...fria. Longa e fria... passa como se nunca passasse. Eterna e desoladora ela conforta-me como se sua criança eu fosse...Conforta-me com a solidão.
"Ah, triste sina a minha!...
Para que fui eu nascer?
Dói-me a alma que chora sozinha.
Sofro por não te poder ter.
Maldita a hora em que a dor
Tomou posse do meu espírito debilitado.
Carrego em mim a cruz de um amor
Que faz de mim um ser atormentado.
E para quê acorrentar-me a tanto sofrimento?
Sei que todos estes grunhidos de desespero são em vão!
Talvez me tenha habituado ao isolamento
E como só a tua presença me servirá de alento
Prefiro continuar neste pranto, nesta aflição!"
Karl Goth