abril 27, 2005

Loucura

"Existe um vazio em mim
que me cobre o corpo
como escudo.
Assim sendo, esse mesmo vazio
tornasse na minha decadencia,
alimentada por vicios medonhos
e prazeres bizarros.
A minha mente decresce em secundos,
perco-me em minutos,
e morro em horas
Que parecem enternas.
Sinto-me torturado
até ás minhas entranhas,
corre em mim sangue frio...
É tudo triste diante de mim.
Não o vês?
Será que serei eu o unico ser humano...
de mente ciente das loucuras
outroras disfarçadas de rosas espinhosas?"

Miguel Cristóvão

Publicado por Conde em 08:26 AM | Comentários (4)

abril 15, 2005

Almas Gémeas

Unidas pela eternidade, elas passeiam-se ao brilho lunar...

Publicado por Conde em 07:25 PM | Comentários (9)

abril 11, 2005

Triste Sorriso

"É escuro o meu pensamento,
Sou vazio.
Cada trago de ar que inalo,
Impregna o que os meus olhos vêem.

É triste o meu sorriso,
Arrastado para vícios incontroláveis.
Já nem o agarrar me consola,
Estou vazio.

Não sentes?
No olhar as chamas do longínquo,
O chorar por esquecimento.

Não sentes?
As gélidas mãos que se escondem…
E eu caio quase morto.

Abres uma espiral dentro de mim,
A cada segundo a queda aumenta.
O êxtase de estar ali.

O abismo que tornas-te incontornável,
Não sentes para me segurar.
Perdi a força nas imagens que me mostras-te."

Anónimo

Publicado por Conde em 12:54 AM | Comentários (8)

abril 09, 2005

Turbilhão Crepuscular

"O vazio habita-me
Sou o caos a desordem a confusão
A minha mente é um penhasco
Onde eu procuro o meu trágico fim

Sinto-me torturado
Pelo ar que respiro
E o sol que me ilumina
Só obscurece a pouca alma que ainda tenho

Há muito que me perdi
E hoje
No meio deste turbilhão crepuscular
Já não me reconheço"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 11:07 PM | Comentários (2)

abril 05, 2005

Quando a Paisagem Recolhe...

"Quando a paisagem recolhe
Seus olhos, na tarde calma,
É como se alguém que se olhe
Com olhos de alma pra alma.

Se a paisagem esmorece,
Fechando os olhos doridos,
É como se alguém que perdesse
A noção dos seus sentidos.

Não se vê... não ouve... não fala...
Paisagem de si ausente,
Fico-me ausente, de olhá-la.

Caminho! Noite cerrada!
Sou a Paisagem de ausente,
Toda em mim transfigurada."

Almada Negreiros

Publicado por Conde em 11:43 PM | Comentários (3)

abril 04, 2005

Sufoco

Respirar...
Em compasso,
Respirar...
Ao ritmo da morte,
Respirar...
Esquecer de amar,
Respirar...
Em ti não pensar,
Respirar...
Não quero respirar.

Publicado por Conde em 11:37 PM | Comentários (3)

abril 02, 2005

Lunar

"O brilho nas pedras do passeio. Dentro do nevoeiro, há pontos de luz
mais grossos a brilharem. Moedas lançadas para um lago cheio de desejos.
Caminho entre o brilho. Os meus passos afastam-me de nada. Existem veios
de medo na brisa que atravesso. Linhas de medo que me tocam a pele.
Atravesso a brisa e sou atravessado por uma voz que me diz: não podemos ser
felizes. O medo. Sobre mim, o céu é o tempo do mundo. Todo o tempo de
todas as pessoas do mundo. O céu é nunca mais. A lua somos nós, aquilo que
fomos. Como a memória, a lua existe nesta manhã para nos lembrar que
existiram noites, que existiu esta noite em que nos separámos. Caminho
sobre a organização das pedras do passeio, a organização do nevoeiro.
Rodeada pelo tempo do mundo, por nunca mais, a lua somos nós."

José Luís Peixoto

Publicado por Conde em 02:14 AM | Comentários (0)