"Já perdi a noção das horas que passaram silenciosamente
O tempo evaporou-se
Nunca existiu
Enganei-me e iludi-me
Sinto a vontade de crucificar todo este tédio que me consome
Não sei de onde é proveniente
Mas toda esta provocação me incute insanidade
Asfixia-me e tudo à minha volta desaparece
As palavras tornam-se inúteis neste momento
Não fazem sentido
E só me angustiam ainda mais
O tempo evapora-se
A insanidade possui-me e desespera-me
Ignoro o significado de toda esta agonia
Que se torna arrebatadora e assassina
Temo não encontrar a saída desta catacumba febril
Nada aqui é definitivo mas tudo me aprisiona
(Veio um Anjo e disse)
ESSA CATACUMBA FEBRIL É A TUA VIDA
A TUA MORTE E A TUA ETERNA MALDIÇÃO
O ABISMO QUE CARREGAS É O ABISMO QUE TE DEVORA
(E o Anjo evaporou-se como o tempo)"
Karl Goth
Ascendo da sombra para a luz,
Tento, mas tudo encandeia,
Volto para ela minha sereia,
A escuridão que tanto me seduz.
Quinta-feira, 5 de Maio, pelas 21h30m, vai decorrer na Praça do Geraldo, em Évora, a performance teatral intitulada "Objectivo Terra". Um espectáculo que aborda a temática da Terra enquanto lugar de vida, sua génese mitológica e todo o imaginário que a ela está associado: a maternidade, a morte, a magia, o xamanismo... O espectáculo é gratuito e conta com a participação, entre outros, de Karl Goth.
"Descender,
sem ver, num abismo a crescer
dentro de ti.
As luzes mortas de ser,
fartas de fazer, ver.
Simples, como o mais complexo sangue.
Morto, como o mais alto pássaro.
Passo.
A passo, caminho, sozinho.
Até ti.
Porque em ti, existe o sangue.
Simples, como o mais complexo sangue.
Morto, como o mais alto pássaro.
Ilumina com os olhos,
os movimentos do corpo.
Um abismo tão vivo,
para um ser tão morto."
Aires Ferreira