julho 26, 2005

Destinos Voláteis

As palavras são pedras que pavimentam o caminho, ao longe, o horizonte pinta uma tela lunar que ilumina esta noite em que passeio com destinos voláteis, que se perdem deles mesmos. Se eu fosse lua queria ter como espelho esta cidade, imortal como o tempo, solitária e melancólica. O meu reflexo nela seria tão simples como o sussurrar dos sinos longínquos. O meu reflexo seria... seria algo que nunca poderia ser reflectido por tamanha beleza, tamanha cumplicidade que escorre pelas suas fontes. Poderia ter toda a minha vida nesta cidade, neste templo... se soubesse o quanto já vivi...

Publicado por Conde em 12:42 AM | Comentários (6) | TrackBack

julho 11, 2005

Sem Título IV

"Choro pela dor que me perturba,
Choro porque não aguento este tormento de estar viva..
Este tormento de sentir…

Não consigo ser feliz…
Remo contra a maré…
Sempre que me sinto
Roubam-me a alma..,
Dá-me vontade de vomitar sobre todas as cabeças que me desesperam…

Só quero dormir…
Sem nunca acordar..
Ficar sempre morta deste de mundo em que vivo…

Faço lembrar o deus grego que suporta o céu
E ninguém lhe agradece por não sair definitivamente do seu posto…

Se é assim que vivo…prefiro morrer…
Prefiro deixar de sentir…
Quero abandonar este corpo nojento que me prende…
Que me sufoca…
Que me rouba e me deita na lama…

Se sou condenada há infelicidade eterna…
não aguento superar esta prova…
Deito-me com todos os meus problemas e perco o ar...de tanto sofrer…
Não…não é fugir…é morrer…é perder-me na minha felicidade de não existir…
Perder-me na felicidade de não sentir…
De não me atormentar..
De não sofrer pelos outros…
De na sofrer com os outros…

Deixem-me morrer seres do além…
Levem-me convosco…
Façam-me voar…
Façam-me partir deste mundo coberto de podridão.
Deste mundo a que não pertenço…"

Bárbara Teixeira

Publicado por Conde em 11:19 PM | Comentários (258) | TrackBack

julho 01, 2005

Sem Título III

"Um silêncio cuspido,
De nervos tão tensos, quase inimagináveis, tanta dor oculta,
Tantas palavras por dizer…
Forma de expressão!?
Penso, ao contrário de muitos,
Que as palavras magoam mais do que um simples beijo de despedida.

É difícil viver com outros…
É difícil ser diferente..ou simplesmente pouco sensível
Ao que me dizem…
Aguardo, nervosa, pelo final arrebatador que me pode atingir
Como um tiro de pistola incerta.
Falo do que penso…e penso no que sinto…
É estranho..como esta vida é tao redondamente enganadora…
Mentirosa por vezes…

Sinto que tantas certezas que tinha,
São afogadas dentro de mim…
E sem vontade de
Crescer, mantenho-me nesta altura inabalável..
Sou fria…pelo que dizem..
Não…
É mentira..
Sou facilmente perturbada.

Sinto que tudo me esvoaça entre os dedos…
Como areia…
Como açúcar que provei e me recuso a gostar,
Pela dependência que causa…

Tão instável…tao estranhamente perdida…
Não ouço mais a tua voz a ecoar nos meus sonhos..
Não me esforço.
Tenho medo de cair desamparada…
Sinto que não sou mais quem fui…
Que crescer custa…
Quanto mais velha pior…
Mais custa…
Mais dói…

Perder-te!?ou perder-me!?
Orgulho!? Ou dor?!
Culpada!? Ou culpabilizada!?
Sentir?! Ou sentir-me?!

Em que nos baseamos!?
De que nos fazemos!?
Tenho medo de acordar,
Olhar para o lado e não te ver…
Mas…não percebo o que se passa outra vez…
Loucura ou desvario!?
Saudade!?
Pena pelo que se foi!?
Não sei…
Apenas espero que me mostrem…
Que me mostres…não me assustes…quero-te sincero!
Quero-te!?"

Bárbara Teixeira

Publicado por Conde em 09:07 PM | Comentários (5)