março 26, 2006

Ad Libertatem (Évora e Lisboa)

AD LIBERTATEM é um espectáculo teatral que aborda a temática da condição humana. A mediocridade do ser perante aquilo que o rodeia, perante as circunstâncias duma existência sem fundamento…
É o processo de libertação ou condenação… A luta interior focada no encontro da verdadeira razão de existir… A queda do ser em si próprio… No seu abismo de delírios.
Escrito e dirigido por Carlos Filipe Lopes (Karl Goth), e produzido pelo G.A.T.U.É. (Grupo Académico de Teatro da Universidade de Évora), este espectáculo será apresentado em Évora e Lisboa.

ÉVORA: Dia 30 de Março, pelas 21h30 – Convento do Carmo (Portas de Moura)
(2€ para estudantes; 3€ para não estudantes)

LISBOA: Dia 4 de Abril, pelas 21h – Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro (Telheiras) Flea – Festival Lusíada e Artes do Espectáculo (www.gtul.net)
(2,5€ para estudantes; 4€ para não estudantes).

Publicado por Conde em 12:46 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 25, 2006

Amor?

Imagem de Paulo Moura

Publicado por Conde em 11:27 AM | Comentários (4) | TrackBack

março 23, 2006

Quarentena

Quero viver todos os dias em tédio,
Escorregar no tempo apático,
E preciso de um corpo estático,
Uma alma em branco é o meu remédio,

Quero ser espectador do mundo,
Passivo,
Agressivo,
Profundo...

Quero personificar a ausência do ser,
Injectar-vos o sentimento de perda...
Eu quero ser a vossa merda!
Assistir a tudo morrer...

Dormente,
Anestesiado,
Deslocado,
Vai durar eternamente...

Publicado por Conde em 12:02 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 18, 2006

O Louco

Oh tu!...ser espontâneo como a água,
Ser alegre da ignorância...
Não serás tu o mais sábio de todos nós?
Não serás tu o que vês para além da mágua?

Ouve-me pedir-te o caminho da loucura,
Para que ao caminhar, eu aprenda a voar...
E sendo diferente de ti, serei igual a ti
Pois em ti reside a minha cura!

Pensei um dia ter visto um louco...
Mas era um sábio...
Estava afastado da vida,
Porque só a vida, sabia-lhe a pouco.

Publicado por Conde em 05:55 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 15, 2006

Murmúrio Final

"Num negro trovejar de sofrimento
Revolta e incompreensão
Os meus sonhos que eram teus
Vi cair nas profundezas de um abismo
Que repentinamente
Sob nossas existências se abriu

A queda de quimeras que um dia
Ousei loucamente desenhar
É agora uma dolorosa chaga
Na minha empobrecida alma
Que a tua sentida ausência
Insiste em manter aberta

Ser alado
Que em meus braços
Eternamente adormeceste
Leva-me contigo para o infinito
Pois a este mundo não quero mais pertencer"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 03:00 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 12, 2006

Eles

O fumo desliza demoníaco pelo ar saturado de alucinações. Quem somos nós? Perguntamos essa questão todos os dias ao olharmo-nos no espelho, porque nos vemos muitos, porque somos muitos. Eu vejo-me de fora do meu invólucro corporal e permaneço horas e horas a observar-me... Eu sou um deles, e eles são um de mim. A nossa existência... uma simbiose espiritual que nos rasga por dentro e nos viola os sentidos de maneira tão intensa, tão eterna, que nada nos estimula... mortos para o mundo... morto. A necrose que ajuda a consumir a vida, quando dela apenas se espera a morte.

Imagem de Bruno Monteiro

Publicado por Conde em 01:53 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 09, 2006

Ilha do Chamamento

"Nossas almas são transportadas por uma jangada.
Sob o céu azul-castanho vogamos num mar negro
sombreado por ossadas que boiam à nossa volta.

Levados para uma caverna o remador acaricia os crânios.
Ele enamora-se dos esqueletos e de toda a tensão
expulsa de si o medo com um grito preso no olhar.

O abismo sobe-nos à boca num impulso
até uma voz longinqua e encantatória
nos chamar. Ele permanece na gruta.

Sigo a viagem à procura da ilha
e logo a voz feminina esmaece
num horizonte adiado

Vogo infinitamente nas ondas
assoladas pelo silêncio próximo dos cadáveres."

Paulo Eduardo

Publicado por Conde em 11:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 08, 2006

Rosas Desfolhadas

"Não tenho com quem partilhar o meu sofrimento
Nem com as palavras
Nem com o silêncio
Todos me questionam
E nenhum me compreende

Vivi na esperança de um dia me encontrar
Passaram-se os dias
E quanto mais me procurei
Mais me perdi

Acreditei que um dia pudesse
Ser resgatado por um anjo alado
Uma criatura divina que me salvasse da agonia
E do tédio
Crenças vãs que apenas serviram
Para me iludir

Talvez possa ainda contar com a generosidade
Dos corvos e do vento
Para que no dia do meu enterro
Venham desfolhar as rosas murchas e secas
Que sobre minha sepultura
Quiçá depositadas serão
E assim espalhar suas pétalas negras
Pelos labirintos da minha existência esquecida"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 01:50 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 07, 2006

Sem Título

"Choro pela dor que me perturba,
Choro porque não aguento este tormento de estar viva..
Este tormento de sentir…

Não consigo ser feliz…
Remo contra a maré…
Sempre que me sinto
Roubam-me a alma..,
Dá-me vontade de vomitar sobre todas as cabeças que me desesperam…

Só quero dormir…
Sem nunca acordar..
Ficar sempre morta neste mundo em que vivo…

Faço lembrar o deus grego que suporta o céu
E ninguém lhe agradece por não sair definitivamente do seu posto…

Se é assim que vivo…prefiro morrer…
Prefiro deixar de sentir…
Quero abandonar este corpo nojento que me prende…
Que me sufoca…
Que me rouba e me deita na lama…

Se sou condenada à infelicidade eterna…
não aguento superar esta prova…
Deito-me com todos os meus problemas e perco o ar...de tanto sofrer…
Não…não é fugir…é morrer…é perder-me na minha felicidade de não existir…
Perder-me na felicidade de não sentir…
De não me atormentar..
De não sofrer pelos outros…
De não sofrer com os outros…

Deixem-me morrer seres do além…
Levem-me convosco…
Façam-me voar…
Façam-me partir deste mundo coberto de podridão.
Deste mundo a que não pertenço…"

Bárbara Teixeira

Publicado por Conde em 08:55 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 05, 2006

Sóbrio, Efémero...

"As aprendizagens da vida ajudam-nos a descobrir aquilo que sempre soubemos, mas esquecemos ao despertar de mais uma existência... É a morte que nos devora a memória dos passados, porque desejamos sempre a vida. No fundo sempre soubemos isso, este é apenas mais um despertar de outra existência, mais uma eternidade que não desejamos e no entanto nos é oferecida como um presente envenenado pelo tempo."

Karl Goth & Conde

Publicado por Conde em 04:09 AM | Comentários (5) | TrackBack

março 03, 2006

A Musa Doente

"O que tens esta manhã, ó musa de ar magoado?
Teus olhos estão cheios de visões nocturnas,
E vejo que em teu rosto afloram lado a lado
A loucura e a aflição, frias e taciturnas.

Teria o duende róseo ou o súcubo esverdeado
Te ungido com o medo e o mel de suas urnas?
O sonho mau, de um punho déspota e obsecado,
Nas águas te afogou de um mítico Minturnas ?

Quisera eu que, vertendo o odor da exuberância,
O pensamento fosse em ti uma constância
E que o sangue cristão te fluísse na cadência

Das velhas sílabas de uníssona frequência,
Quando reinavam Febo, o criador das cantigas,
E o grande Pã, senhor do campo e das espigas."

Charles Baudelaire

Publicado por Conde em 11:59 PM | Comentários (2) | TrackBack