outubro 29, 2006

Doze Moradas do Silêncio

"Envolver-me
na mais obscura solidão das searas e gemer
Amassar com os dentes uma morte íntima
Durante a sonolência balbuciante das papoulas
Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão
para que os corpos tenham tempo de amadurecer

...colher em tuas coxas o sumo espesso
e no calor molhado da noite seduzir as luas
o riso dos jovens pastores desprevenidos...as bocas
do gado triturando o restolho....as correrias inesperadas
das aves rasteiras

....e crescerei das fecundas terras ou da morte
que sufoca o cio da boca.....
....subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente
transmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estacões quentes."

Al Berto

Publicado por Conde em 01:27 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 28, 2006

Inspiração

"Ninguém sabe se o vento arrasta a lua ou se a lua

arranca um vento às escuras.

As salas contemplam a noite com uma atenção extasiada.

Fazemos álgebra, música, astronomia,

um mapa

intuitivo do mundo. O sobressalto,

a agonia, às vezes um monstruoso júbilo,

desencadeiam

abruptamente o ritmo.

- Um dedo toca nas têmporas, mergulha tão fundo

que todo o sangue do corpo vem à boca

numa palavra.

E o vento dessa palavra é uma expansão da terra."

herberto helder

Publicado por Conde em 09:01 PM | Comentários (0) | TrackBack