dezembro 31, 2006

Próspero 2007!


O Lado Negro das Palavras deseja a todos os leitores um próspero Ano Novo!


Imagem de Karaboutch

Publicado por Conde em 06:24 PM | Comentários (2) | TrackBack

Os Versos Que Te Fiz

"Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolência de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

Florbela Espanca

Publicado por Karl-Goth em 10:44 AM | Comentários (2) | TrackBack

dezembro 28, 2006

Cinzas De Verão

O peso das memórias ... o fardo com que se caminha mutilado de sentimentos. Condenado para sempre com tamanhas recordações de ter sentido tão de perto a perfeição.

Publicado por Conde em 02:18 AM | Comentários (3) | TrackBack

dezembro 26, 2006

Intermitências da Morte

"Boas tardes, em que posso servi-la, perguntou o recepcionista, Telefonaram de uma agência de viagens há um quarto de hora a fazer uma reserva para mim, Sim, minha senhora, fui eu que atendi, Pois aqui estou, Queira preencher esta ficha, por favor. Agora a morte já sabe o nome que tem, disse-lho o documento de identificação aberto sobre o balcão, graças aos óculos escuros poderá copiar discretamente os dados sem que o recepcionista se dê conta, um nome, uma data de nascimento, uma naturalidade, um estado civil, uma profissão. Aqui está, disse, Quantos dias ficará no nosso hotel, Tenciono sair na próxima segunda-feira, Permite-me que fotocopie o seu cartão de crédito, Não o trouxe comigo, mas posso pagar já, adiantado, se quiser, Ah, não, não é necessário, disse o recepcionista. Pegou no documento de identificação para conferir os dados passados para a ficha e, com uma expressão de estranheza na cara, levantou o olhar. O retrato que o documento exibia era de uma mulher mais velha. A morte tirou os óculos escuros e sorriu. Perplexo, o recepcionista olhou novamente o documento, o retrato e a mulher que estava na sua frente eram agora como duas gotas de água, iguais. Tem bagagem, perguntou enquanto passava a mão pela testa húmida, Não vim à cidade fazer compras, respondeu a morte.
Permaneceu no quarto durante todo o dia, almoçou e jantou no hotel. Viu televisão até tarde. Depois meteu-se na cama e apagou a luz. Não dormiu. A morte nunca dorme."

in As Intermitências da Morte de José Saramago

Publicado por Conde em 03:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 24, 2006

A Rua Distante

"Um dia acordei para a realidade do mundo
e percebi que tinha de me reinventar
alojar ideias novas
limpar a existência
criar filhos plantar arvores escrever livros
transformar o mundo com uma ideia nova qualquer
conquistar o espaço, o meu, o nosso
redefinir a ilha dos amores
desistir de buscas infinitas

afinal todas as respostas estavam numa rua distante
desconhecida
e eu sou apenas um homem simples

acordei, levantei-me e desisti da felicidade que me ofereciam
quero ser eu a encontrá-la."

.pv

Publicado por Conde em 12:40 AM | Comentários (1) | TrackBack

dezembro 22, 2006

Prefácio II

Muitos de vós poderão pensar que este blog se encontra na sua fase terminal. Por esse mesmo motivo venho informar-vos que tal não espelha a verdadeira situação do Lado Negro das Palavras. Durante os últimos meses deram-se várias alterações no autor do blog, muita coisa mudou, muita coisa foi descoberta. Acontecimentos esses que me fizeram questionar se continuar a escrever para aqui seria algo verdadeiro, algo que realmente mostrasse que eu respirava todas as palavras, frases, pensamentos aqui escritos. Este blog foi criado acima de tudo para dar vazão a uma personagem que desde sempre me habitou. Uma personagem negra, melancólica, misteriosa. Mas que mesmo sendo algo criado, tudo o que escrevia era verdadeiro e existia dentro de mim como pessoa. Era o lado negro que em todos nós existe.
Depois destes momentos de reflexão e de todas as mudanças acabei por encontrar essa mesma necessidade e a vontade de continuar com este projecto que segundo as palavras de alguns leitores "sempre se destacou pela maturidade do seu conteúdo". Este não é um blog só para góticos, não é um blog só para quem se veste de preto, não é um blog para quem se encontra constantemente deprimido. Este é pura e simplesmente um blog para todos e para ninguém, e os leitores é que decidem a qual deles pertencem, independentemente da roupa, do estilo, da música e até mesmo da religião.
O Lado Negro das Palavras nunca chegou completamente ao estado de inactividade total muito devido ao colaborador Karl Goth, e a ele agradeço por ter sempre participado.
Agora estamos de volta com a energia inicial, para levar o LNP a um novo patamar mais próximo do profissional. Estou neste momento a procurar um novo alojamento para o blog e dar-lhe um novo aspecto visual. Até isso se concretizar , os posts continuarão com alguma regularidade.
Volto a lembrar que temos um fórum a funcionar, com alguns membros registados mas muito pouca actividade. Usem e abusem do fórum pois através dele poderão completamentar a leitura do blog e conhecer outros leitores.
Finalmente aproveito para agradecer a todos os leitores que desde o início acompanham este blog. Obrigado a todos.

Publicado por Conde em 03:46 AM | Comentários (3)

dezembro 07, 2006

Ruído

"Deambula
Pela obscuridade interior do meu cérebro
Deformado por tristezas
Angústias e incertezas
Um ruído atroz e corrosivo
Que provoca em mim
Um atordoador conjunto de espasmos simultâneos
Em que o tédio me domina a consciência
E a visão da realidade envolvente se deixa deturpar
Pela cegueira de sentimentos e emoções
Em sinistros momentos de desvario enterrados

Possui-me
Paralisa-me
E controla-me
Deambulando continuamente
Num ritmo freneticamente imprevisível

Assisto a esta mórbida devastação
Num permanente estado de incapacidade e apatia
Temendo que esta tortura me acompanhe eternamente
Apercebendo-me do esquecimento
Em que me deixei encarcerar"

Karl Goth

Publicado por Karl-Goth em 03:59 PM | Comentários (2)