julho 27, 2007

Citando José Luís Peixoto

"Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada. Sozinho, diante da campa. O amor é a solidão."

José Luís Peixoto
in «Uma Casa Na Escuridão»

Publicado por Karl-Goth em 01:56 PM | Comentários (17) | TrackBack

julho 17, 2007

Citando Yann Martel

"A morte próxima é já bastante horrível, mas pior ainda é a morte próxima com tempo por passar, tempo em que toda a felicidade que era nossa e toda a felicidade que poderia ter sido nossa se nos torna clara. Vemos com nitidez absoluta tudo aquilo que estamos a perder. A visão traz-nos uma tristeza opressiva que nenhum carro prestes a atropelar-nos ou água prestes a afogar-nos pode igualar. A sensação é verdadeiramente insuportável."

Yann Martel
in «A Vida de Pi»

Publicado por Karl-Goth em 10:42 PM | Comentários (4) | TrackBack

julho 06, 2007

Fragmento Invisível

"Já me é intima a ideia de perder-se

Como alguém irreal que dobra a próxima esquina

Como um poeta estirado

Sobre o estranho cadáver envidraçado das palavras

Fugindo pelos poros das margens

Entre panelas de pressão flutuantes das horas

Atirando-se dos parapeitos da visibilidade

Como alguém que desaparece

E só foi visto pelo silêncio

Na dupla traição do espelho

No revólver apontado pela noite

No amanhecer entre as lâminas do verbo

Já me é intima a ideia de perder-se."

João Leno Lima

Publicado por Conde em 11:50 PM | Comentários (23) | TrackBack