outubro 27, 2007

Temporalidade

"há sobretudo o sonho
há o cansaço
há a desordem
o gole estrangeiro de invólucras almas,,
há sobretudo a memória,
o mundo samba nos meus pensamentos,
há sobretudo eu mesmo
e se não ha eu mesmo
resta
apenas um corpo oco
que vagueia na simples caricatura
da irrealidade real de um existir
há sobretudo ser
sonho."

João Leno Lima

Publicado por Conde em 09:40 PM | Comentários (77) | TrackBack

outubro 26, 2007

Infinito Possível

"a mistura fundi-se e eu recomeço.
ha sempre um recomeço em cada universo
eu sou a fragmentação de algo invisível.
eu, simplesmente um gesto numa sombra parada,
alastro-me entre corrimões imperfeitos
e alucinantes cataclismas,
ah, como eu queria fugir para os corredores inexploráveis,
e sangrar meus sonhos inanimados,
hoje sentado na contramão de mim mesmo
renasci em leves profundidades,
olhando os carros passarem
como se fossem ventos metálicos vindos do impossível,
as mulheres pareciam pus vestidos de nuvem
que brilham ofuscando a aurora
e andavam com suas personalidades modernas
cheias de si mas com o gosto amargo da solidao involuntária,
os homens irreconciliáveis
passivos de antigos sonhos paleolíticos
fundem-se em colisões impalpáveis
inesgoveis que tremem em arcos ferozes
que se partem em nadas cósmicos
de anseios transcedentes,
o que desespera tua alma
em devaneios eternamente irreconhecíveis
que se destilam flutuações
nas extremidades perdidas dos rostos úmidos
por lagrimas se desejando mutuamente,
fracassa minha sombra
destruo o infinito pisoteando
fracassa a aurora
diálogos longínquos deslizam pelas paredes do invisível,
fracassa a tarde chuvosa
eu, infinitesimal procura impalpável no escuro oceano,
mergulhar é desaparecer dentro de si mesmo
o mundo desaparece na minha borda
a musica sublime engoela o futuro,
fracassa meu fracasso onisciente
quebra a perna o áspero mundo latejante
arremesso-me nos poros dos ventos
vindos de todos os séculos,
Platão e todos os filósofos brincam de roleta russa
com a eternidade
do meu sonhos,
crepusculares infâncias
ultras sensoriais sentidos
alastro-me pelo universo
e me transformo no meu próprio universo
recomeço e desintegro tudo
perco-me na consciência abismal
viro raios e nuvens
não sou mais
eu sou tudo onipresentemente
adormeço na inconsciência incógnita
destruo meu ser em múltiplos organismos
para o infinito eu também sou um infinito
caiu por cima de mim e escavo-me
até a interminável infinitude."

João Leno Lima

Publicado por Conde em 11:36 PM | Comentários (41) | TrackBack

outubro 01, 2007

O Que Desejei Às Vezes

"O que desejei às vezes
Diante do teu olhar,
Diante da tua boca!

Quase que choro de pena
Medindo aquela ansiedade
Pela de hoje - que é tão pouca!

Tão pouca que nem existe!

De tudo quanto nós fomos,
Apenas sei que sou triste. "


António Botto

Publicado por Karl-Goth em 09:02 PM | Comentários (7) | TrackBack