fevereiro 21, 2006

Memórias

O que se passa com o ar? Sufoca-me sempre que inspiro. Tenho de respirar, tenho de sentir-me vivo. Mas tudo em que penso é morte... tudo caminha para a estrada que desce em mim e leva à terra. O meu corpo pesa. É desejado pelo chão. Mas, e o ar? o que passa? estou a sufocar! Eu sei que és o meu ar, sempre foste. Agora faltas-me. Consigo avistar-te, mas amarro-me com todo o arame farpado da minha vontade, para não te alcançar. Preciso de ti, mas não te posso querer. Seria em vão respirar-te. Para quê alimentar esta vida? Apenas vamos ser embriagados pela suas sensações. Para quê dar mais esperança? A morte vai acabar por roubar a nossa frágil existência. O meu corpo insiste em rasgar a pele com as farpas frias até ao osso, ele quer respirar-te, mas eu não posso. O teu ar afasta-me da morte que desejo. Ofereço o meu corpo ao chão e mantenho-me recluso de mim próprio, aguardando o silêncio reconfortante das nossas memórias...

Publicado por Conde em fevereiro 21, 2006 02:23 AM
Comentários

Intenso.

Afixado por: Ofeliazinha em fevereiro 22, 2006 02:06 PM