"Não tenho com quem partilhar o meu sofrimento
Nem com as palavras
Nem com o silêncio
Todos me questionam
E nenhum me compreende
Vivi na esperança de um dia me encontrar
Passaram-se os dias
E quanto mais me procurei
Mais me perdi
Acreditei que um dia pudesse
Ser resgatado por um anjo alado
Uma criatura divina que me salvasse da agonia
E do tédio
Crenças vãs que apenas serviram
Para me iludir
Talvez possa ainda contar com a generosidade
Dos corvos e do vento
Para que no dia do meu enterro
Venham desfolhar as rosas murchas e secas
Que sobre minha sepultura
Quiçá depositadas serão
E assim espalhar suas pétalas negras
Pelos labirintos da minha existência esquecida"
Karl Goth
desfolhar o meu grito
vivo na ausencia de um grito,
preso e desdenhado por todos...
sou corruída pela vontade de gritar,
e nao puder...
vivo morta de alma...
sem sentir o que devia...
escrevo por me abrir assas
e sem me deixar cair,
eleva-me ao mais alto dos patamares e loucura.
talvez só a escrita me desperte...
há medida que me reforço,
sou invisivel para quem passa...
vivo só.
num lugar que nem sequer sei se me pertence...
num corpo que estranho,
com uma personalidade estranhamente defenivel...
desfolho-me vejo que nao tenho nada...
apenas cinza do que já existiu em mim.
Bárbara Teixeira
piedosas esculturas
desvitalizadas
são concretamente pra cova
atiradas
almas nossas banalizadas
numa negra vastidão
de vidas em extinção
num sofucante chamamento
de solidão e desespero
temperalmente alimentado
com a mais pura ilusão
Num murmúrio final
De meu vasto pensamento
Julguei tudo encontrar
Mas afinal tudo está perdido
Porque fatalmente quis sonhar
Que faz de mim ser quem sou?
Ninguém
Apenas moribunda alma penando
A vida encarregara-se
De me preencher com sofrimento
Complemento a escuridão
De viver sem ilusões
Sentira-me escravo
Dum mundo
Que não existe
Não existem lágrimas
De atormento
Apenas um claro momento
Em que deparamo-nos
Com o termo