"Nossas almas são transportadas por uma jangada.
Sob o céu azul-castanho vogamos num mar negro
sombreado por ossadas que boiam à nossa volta.
Levados para uma caverna o remador acaricia os crânios.
Ele enamora-se dos esqueletos e de toda a tensão
expulsa de si o medo com um grito preso no olhar.
O abismo sobe-nos à boca num impulso
até uma voz longinqua e encantatória
nos chamar. Ele permanece na gruta.
Sigo a viagem à procura da ilha
e logo a voz feminina esmaece
num horizonte adiado
Vogo infinitamente nas ondas
assoladas pelo silêncio próximo dos cadáveres."
Paulo Eduardo
Publicado por Conde em março 9, 2006 11:13 PM