outubro 29, 2006

Doze Moradas do Silêncio

"Envolver-me
na mais obscura solidão das searas e gemer
Amassar com os dentes uma morte íntima
Durante a sonolência balbuciante das papoulas
Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão
para que os corpos tenham tempo de amadurecer

...colher em tuas coxas o sumo espesso
e no calor molhado da noite seduzir as luas
o riso dos jovens pastores desprevenidos...as bocas
do gado triturando o restolho....as correrias inesperadas
das aves rasteiras

....e crescerei das fecundas terras ou da morte
que sufoca o cio da boca.....
....subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente
transmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estacões quentes."

Al Berto

Publicado por Conde em outubro 29, 2006 01:27 PM
Comentários

gostei muito deste poema

Afixado por: Paulo Eduardo em outubro 29, 2006 07:25 PM

Excitante, sem se tornar vulgar, bom poema.
Abraços

Afixado por: Metal Warrior 666 em novembro 13, 2006 12:54 PM

liricismo excelente!! Vou ser um visitante assiduo!

Afixado por: Pedro Tortuga em novembro 30, 2006 02:02 AM
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