janeiro 11, 2007

I

"E de repente fez-se silêncio...ouço apenas os passos destes dias...ouço o eco desse chicote que me rasga a pele do coração...ouço as gotas de suor já avermelhadas a caírem no chão, em vão...
Este silêncio que me toca,
que me afaga o peito, que me tenta.
Sigo andando, rastejando, caindo e levantando-me. Está tão escuro que nem a mim me sinto. Será que existe luz aqui? Não ouço nada, nenhum ruído, nem aqueles risos ao longe, nem aquelas conversas imperceptíveis. Tenho medo... Sufoca, arrepia, não termina, quero sair, não consigo.
E perco-me de mim, do mundo. Fico alheio a tudo. Nada me pertence, e eu não pertenço a nada.
Escondo-me ao mínimo ruído, fujo ao mínimo movimento.
Quando se escreve percorre-se uma estrada que nem sempre se sabe onde nos leva. Neste momento ando por caminhos desconhecidos, vou simplesmente. Olho apenas em frente, não ligo à paisagem. Sigo comigo, outras vezes sem mim. Passo tempo e o tempo passa por mim. Fujo do pensamento, fujo disto, cerro os dentes, cerro os punhos, e acelero..."

Pajosy

Publicado por Conde em janeiro 11, 2007 12:37 AM | TrackBack
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