abril 13, 2007

E O Meu Silêncio

"Estende o teu braço, com a penugem loira na pele ainda
bronzeada, para mim, rapariga. O meu rosto é provável
que seja, entre as montras das lojas e as árvores, igual
ao de toda a gente. Anónimo, porém, não o sou. Não o são
as próprias pedras, as janelas, e sei quanto
do amor e da nossa história falam os caminhos estreitos
que levam de todas as cidades para o campo.
O teu olhar azul deixa-o estar em mim um pouco mais,
eu também tive infância e perdi-a, adolescência
e perdi-a, e o meu silêncio
é apenas desejo de estilo, dignidade.
O meu espírito, como cansado, dorme. Mas sopra tu
com o vento do teu olhar: talvez eu possa
de novo ir ao campo, contemplar a água dos rios,
sentar-me, inocente e intranquilo, nas esplanadas dos café
a ver o sol que bate como o oiro na pedra das casas."

João Camilo

Publicado por Karl-Goth em abril 13, 2007 05:28 PM | TrackBack
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