"As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente."
Alberto Caeiro
Publicado por Karl-Goth em agosto 7, 2007 04:55 PM | TrackBackPor que há no homem esse ver sistemático o vazio das coisas que, por serem coisas, já não são por isso vazias? Por quê?... Tão cheia de nada é a vida, só quando tudo se desmancha nos oolhos desolados dos desiludidos, na palavra silenciosa dos que temem, no meneio desconexo dos que se retiram... Por quê? Por que, se tão cheio de tudo é ser para a vida, até ao ponto de consederar-lhe a morte como etapa e nada mais? Por quê?
Afixado por: Eurico Coelho Sacco em agosto 12, 2007 04:20 AM