"Está de chuva. Sinto uma calma tão grande. Sinto que alguém chora as minhas lágrimas por mim, proporcionando-me um momento para descansar.
Oiço música, saboreio num café, até parece que a Vida vale a pena ser vivida só por estes momentos de solitude. O meu coração balança-se entre o cá e o lá, e outros olhos, que não os meus, vêem esta realidade abstracta. Será que é nesta realidade que todo o Mundo vive? E, se sim, porque é que não consigo alcança-la? Consigo, apenas, mira-la de longe, por vezes até tocar-lhe, mas não mais do que isso. Será porque os meus olhos continuamente se fecham, apreciando sempre mais a escuridão que os envolve?
Nesta escuridão não há corações magoados, nem pessoas feridas. Não acontecem coisas más porque, na verdade, nada acontece. É uma calma constante ou um medo permanente. É o não sentir, o não ver e o não querer acreditar. É o imaginário que me persegue e que eu persigo, incessantemente. É aquilo que eu insisto ser Verdade.
É o suave sabor amargo da Morte, que eu aprecio como mais um cigarro que me mata."
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Interessante... já me senti assim antes e não soube me expressar, e esse seu post me fez relembrar... que de certa forma, há calma nesse não sentir, e que essa calma às vezes faz falta...
Afixado por: Pathy em novembro 27, 2007 01:42 PM